Birdman



"Preferia não ter gravado o nascimento dela. (...) Sinto falta daquele momento, não o tenho (...)

Devia ter estado ali só com vocês, só nós os três (...) Agora não o tenho, nem nunca o terei."

by Riggan in Birdman


Absolutamente genial. Um dos filmes da minha vida.


Um actor que outrora fez de super-herói batalha contra o seu ego e tenta recuperar a sua família, a sua carreira e a si próprio durante os dias que antecedem a grande noite de estreia.


Alejandro González Iñárritu realiza aqui o filme de uma vida, ou de muitas. Pelo menos da vida dele e do próprio Michael Keaton. Ele que foi outrora um super-herói que não voava mas quase revela-se aqui como ele próprio.


A vida é curta. E o que significamos nós no meio de tudo isto?

O que somos nós no mundo? Será que conseguimos ser algo significante?

É assim tão importante o que as pessoas pensam de nós? Ou é ainda mais importante aquilo que achamos de nós próprios?

"Birdman" leva-nos na inesperada viagem que é a virtude da ignorância. Saber-se que se é ignorante é ter sabedoria. Reconhecermo-nos como pequenos pontos num enorme rolo de papel higiénico isso sim é conhecermo-nos.


Vivemos num mundo em que as pessoas não tiram os olhos dos ecrãs, em que não se aproveitam e vivem os momentos porque estamos mais preocupados em grava-los. Desde que existe raça humana que existe memória. Cada um de nós é uma pequena biblioteca e não precisamos de etiquetas ou discos externos para as recordarmos. As que melhor lembramos são aquelas que vivemos apaixonadamente e sem pensar. As pessoas deviam "estar mais".


Edward Norton (nomeado para melhor actor secundário), Emma Stone, Zach Galifianakis, Naomi Watts são alguns dos monstrinho que fazem sobressair o actor principal num filme em que não consigo dizer que alguém está menos bem. É uma equipa fantabulástica de actores incríveis que dão tudo num filme que é tudo e nada.


Emmanuel Lubezki é o director de fotografia. Como fazer um filme que não é absolutamente plano sequência tornar-se num? Talvez o maior da história. Duas horas de um gigante "plano de sequência" que não tem erros. E porquê este estilo? Porque isto é teatro e não cinema. Porque isto é, acima de tudo, vida real.

Ainda mais genial, foi a primeira vez que vi um plano sequência com saltos na história. Isto é, as coisas sucedem-se, embora em plano sequência, com saltos temporais que nos fazem ainda mais embalar na história e pensar que até na nossa vida há pequenas partes que ignoramos porque o seguinte momento foi muito melhor.


Relativamente ao som, a mistura é incrível. Sentimo-nos mesmo dentro da acção, rodeados por aquele frenesim fanático. Sentimos que isto é a realidade. A isto soma-se uma banda sonora fabulástica. Para quem não acredita que conseguiria ouvir um concerto de bateria solo, Antonio Sanchez prova o contrário. Podem ouvi-la aqui.


10*

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