Paraíso (2021)


"Um passarinho canta até morrer." in Paraíso


No peito de todos aqueles afinados bate um coração, que faz bater o nosso ao mesmo ritmo.

Um filme para se ver em pé, batendo o pé até ao final.

Um ode ao amor, à música e à vida.


Todos os dias, dezenas de pessoas juntam-se nos jardins do Palácio do Catete, antiga residência da presidência brasileira, e que hoje alberga um museu.


Este é o paraíso daquelas pessoas, que não têm nada mais do que aquelas horinhas em que cantam juntas.


O samba tem um poder curativo inexplicável.

A recordação e a memória pela música.


Uma dedicatória a um recém casal de noivos sexagenários.

Um palpitar de namorisco entre uma cadeira de rodas e demência.

Uma leveza num corpo velho e pesado.

Uma memória de uma música antiga.

A criação de uma cantiga. "Tantas Milhas".

Uma serenata ao luar.


Uma homenagem profunda e verdadeira ao Brasil da infância do realizador e às pessoas que o existiram.


Um filme sobre o paraíso, interrompido pelo vírus que assolou o mundo.

A pandemia tirou muitas vidas diretamente, mas também isolou e matou muita gente pela solidão.

Uma perspectiva totalmente diferente da que estamos habituados.


A fotografia é também muito bonita. Planos fixos, com uma composição espetacular, que nos deixam absorver toda a informação que os compõem.


O filme durou 88 minutos. Ficava lá outros tantos a ouvir aquela gente, no paraíso.


O filme mais bonito que vi nos últimos tempos.

Obrigado Cineclube de Guimarães.


10*

Comentários

Mensagens populares