The Zero Theorem
"0 must equal 100%. Good luck."
by Mancom Computer Lips in The Zero Theorem
Qual o sentido da vida?
Qohen Leth é um hacker cujo objectivo é descobrir qual o sentido da vida. Vê a sua tarefa interrompida pela Administração, que envia um adolescente e uma mulher sensual para o distrair.
Este é um filme sobre o futuro próximo.
Sobre no que a sociedade poderá tornar-se se a tecnologia continuar a avançar.
Uma viagem a um mundo altamente tecnológico.
Uma análise ao ser humano e ao sentido da vida.
Só a ideia de um antigo Monty Python realizar um filme que procura o "Sentido da Vida" ("Meaning of Life") é por si esclarecedor (e extremamente divertida).
Terry Gilliam tenta aqui um filme ousado e de difícil compreensão. É preciso ter alguma sensibilidade visual e perceptiva para perceber o uso dos planos, das falas e da própria história.
A permissa de todo o filme é que "0 tem que equivaler a 100%", ou seja, o nada tem que equivaler a tudo.
A conclusão à qual se quer chegar é que nada vale a pena, pois tudo é finito. Para quê dar-se um sentido à vida se ela, eventualmente, vai acabar?
O filme é uma reflexão sobre o futuro do homem e do mundo. Não é preciso extra-terrestres ou tecnologias demasiado avançadas. O realizador pegou em tudo o que existe no nosso mundo e levou ao extremo.
O facebook ruiu.
A publicidade persegue o consumidor nas ruas.
A prova de teoremas matemáticos transformam-se em jogos de computador.
As relações são quase nulas e a comunicação é difícil. Nas festas/discotecas cada um ouve a sua música com headphones. A imaginação virtual é uma maneira de fugir da realidade.
"- O que te aconteceu?
- A vida...
- A vida acontece a toda a gente."
Este é um dos muito diálogos que são simples mas brilhantes no filme. Quando estamos em baixo ou estamos perdidos no mundo arranjamos sempre desculpas para não sermos felizes. A verdade é que "a vida acontece a toda a gente". Em situações destas o ser humano é conduzido pela fé, a crença que cada um deposita seja no que for para dar o tal sentido à vida. O problema é quando queremos provar que não vale a pena dar sentido a algo que se esgota, ou seja, provar que 100% é na verdade 0.
É a teoria do Big Bang. Um dia o 0 transformou-se neste Universo que continua em expansão e que no final voltará a nada.
É como a vida humana que por uma incrível coincidência te escolheu a ti para existires. Mas também vais ser tu o escolhido para partires.
Por isso, durante o tempo que aqui estamos devemos aproveitar a vida. Não perder tempo com coisas fúteis ou a provar que o tudo é na verdade nada.
Para quê preocuparmo-nos se o nosso tudo é mais pequeno que o nada do Universo?
8*
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