Belfast (2021)
Um bairro. Uma boa história. Uma fotografia incrível.
Tudo o que é preciso para fazer um bom filme.
E ao mesmo tempo esta visão do mundo mistura-se com a dos seus avós (Judi Dench e Ciarán Hinds), que vão passando os "ensinamentos" ao pequeno Buddy.
A cena de abertura do filme colou-me ao ecrã. Uma passagem pela colorida e atual Belfast acaba numa parede com um grafite que remete para o passado da cidade. A câmara sobe e mostra um antigo bairro da cidade, a preto e branco, onde se vai desenrolar toda a ação.
Ainda na cena de abertura vemos uma mãe, com uma tampa de caixote do lixo a fazer de escudo; uma verdadeira super heroína que educaria os filhos quase sozinha.
A leveza com que o tema do filme é tratada (os conflitos ente protestantes e católicos) é maravilhosa. Quando somos crianças não carregamos os problemas do "mundo dos adultos" da mesma forma, mas conseguimos perceber, à nossa maneira, o mundo que nos rodeia. Keneth consegue aqui transpor para o cinema as sensações que temos quando em criança. Não somos parvos, sabemos o que está a acontecer, mas contam-nos as coisas de uma forma tão complicada, que parece sempre um problema maior.
Um filme com mais referências cinematográficas do que as que consegui contar. O facto de todas essas referências, mesmo no teatro, estarem a cor, enquanto que o resto da ação está a preto e branco faz-nos refletir se, no meio de toda a confusão, eram aqueles momentos no cineteatro que o jovem Buddy (ou o próprio Keneth Branagh) via a vida com uma cor diferente.
O que nos leva à fotografia do filme. Keneth alia-se mais uma vez a Haris Zambarloukos para criar uma fotografia que parece de filme independente, tantas são as vezes que as personagens que falam carregam o peso do enquadramento nos ombros. Keneth já nos habituou a fotografia boa em todos os seus filmes, mesmo nos mais comerciais, mas neste Belfast sobressai-se. A
A banda sonora é toda de Van Morrison. Encaixa na perfeição sempre que é chamada a intervir. Talvez seja a banda sonora da infância do realizador.
Também um filme sobre o não ter medo de enfrentar o desconhecido. Muitas vezes temos medo de sair da nossa "zona de conforto", mesmo sabendo que se manterá no mesmo sítio caso queiramos voltar. Nas palavras da avó:
"Go Now. Don't Look Back."
8*
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