Flee (2021)

 


"Home? It's someplace safe. Somewhere you know you can stay, and you don't have to move on. It's not someplace temporary."


Que vida fácil que levamos.


Jonas Poher Rasmussen realiza um documentário diferente e merecedor de todas as nomeações. A estória de um amigo, Amin, que consegue fugir do Afganistão.

Um filme sobre fugir até encontrarmos um lugar a que possamos chamar de casa; um sítio seguro, onde possamos ficar; um sítio que não é temporário.


O realizador usa várias técnicas de animação e edição para tentar recriar as memórias do entrevistado Amin, que conta a sua história ao mundo pela primeira vez.

Provavelmente para preservar a integridade dos intervenientes, Jonas recorre à animação, que embora simples, consegue captar as expressões e movimentos essenciais dos personagens. O design de som contribui em muito para que isto aconteça.

Esta escolha acaba por trazer também vantagens na restante realização; quando ouvimos as memórias de Amin, a animação é mais esbatida, tal como o que ele se lembra. Tudo isto faz com que o espectador tenha também a possibilidade de imaginar de acordo com o que ouve.

À medida que a história vai progredindo também a animação vai sendo alterada para acompanhar as cores do que Amin ia, possivelmente, sentindo ao longo da vida.


São 89 minutos onde acompanhamos um personagem na sua fuga e adolescência; isto porque embora refugiado, é um ser humano como todos e tem que se descobrir. Um filme que, embora violento pelo tema que aborda, é muito bonito. E consegue tocar todos os temas com uma "leveza" inesperada.


A banda sonora é muito bonita e acompanha a narrativa e a própria adolescência de Amin.


Um filme que nos faz pensar quantos Amin haverá no mundo, e o quão injustas são as oportunidades que temos, simplesmente por termos nascido onde nascemos.

Um filme arrojado, muito bonito, com uma história tão real que parece mentira.

Um filme que deveria ser de visualização obrigatória pelo mundo todo.


10*

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