Babylon (2022)
“I know what’s at stake here. It’s the future of cinema.”
Babylon é surreal, longo, megalómano, divertido, assustador, emocional. Podia dizer-se que é uma carta de amor ao cinema; e é, mas em vez do formato carta de amor toma o formato montanha russa.
O filme passa-se em Hollywood, entre as décadas de 20 e 50 e explora, a partir do ponto de vista de múltiplos personagens, a ascensão do cinema e dos estúdios, até ao momento em que o som é introduzido e sincronizado na tela. Sempre com especial foco nos excessos, escândalos e podridão por detrás dos cenários e da magia.
Damien Chazelle mostra o quanto gosta de cinema, e o quão bom é. Mostra neste filme a sua incrível capacidade de realização; tal como um grande maestro consegue, de uma forma muito característica, coordenar atores, cinematografia, som e música. Consegue um filme histórico, mas épico.
Entre momentos de êxtase sonora e movimentos de câmara, e outros momentos de completo silêncio e ausência de movimento, consegue um bom equilíbrio para o espectador, que não dá conta das horas passarem.
Mas vamos por partes:
Na introdução do filme, provavelmente a maior que alguma vez vi, o realizador mostra ao que vem. Chazelle está-se a marimbar para o que os espectadores e críticos vão dizer. E di-lo de uma forma tão explícita quanto possível.
Prepara-nos para a viagem louca e inesperada que o filme vai ser, sempre com um ritmo frenético que me fez quase entrar em pânico na sala de cinema. Adorei. A câmara não parava e dei por mim a pensar como raio tinham feito alguns dos movimentos no meio de toda a confusão.
Depois o filme desenrola-se através das personagens principais. Aqui todos os atores desempenham papéis incríveis e não há um que eu consiga dizer que esteve menos bem. Todos quiseram dar o seu contributo e mostrar o quão gostam de cinema.
Aqui temos uma perspectiva de como a introdução de som nos filmes revolucionou a indústria, a produção de filmes e a capacidade ou não de os atores desempenharem os seus papéis. Já não bastava serem bonitos. Tinham que saber falar, estar e ter uma boa voz.
Fala-se também, muito superficialmente, de racismo, ostentação e da cultura das estrelas.
Uma das minhas cenas favoritas acontece aqui, quando três das principais personagens do filmes têm que parecer o que não são para voltarem a ser acarinhados por quem gere a indústria. A banda sonora acompanha esse desenrolar de cena de uma forma incrível; com base no bolero de Ravel, parece, a música vai ganhando consistência pela repetição até chegar ao êxtase e explodir em conjunto com as performances dos atores. Especialmente Margot Robbie. A música dessa cena chama-se “Hearst Party” caso queiram comparar por vocês próprios.
Uma ovação de pé para Justin Hurwitz que compõe um tema que é repetido ao longo do filme sob várias formas, até à exaustão, mas que nos faz sair do filme a assobia-lo.
A terceira e última parte do filme é também ela muito boa. Com algumas resoluções adivinháveis, mas outras peripécias completamente inesperadas e surreais. Como uma aparição de Tobey Maguire merecedora de muito amor. Mas, como não quero fazer spoilers, não vou contar mais nada e vou deixar-vos só com o bico aguçado.
Concluindo, Babylon é um filme épico feito com muito amor. Apesar de longo passa a voar. É frenético, louco e cheio de alma.
E por tudo isto merece um 9.
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