The Fabelmans (2022)

 



“You do what your heart says you have to. So you don’t owe anyone your life. Not even me.”
in The Fabelmans

“Os Fabelmans” é um filme autobiográfico de Steven Spielberg, a lenda por detrás de filmes que adoro, como “Catch Me if You Can”, “ET”, “Jurassic World” e “Indiana Jones”.
Neste filme, ele conta a história da sua infância no Arizona entre as décadas de 50 e 60, até espreitar Hollywood por uma frincha de luz e esperança.

Um filme com um guião bom, uma realização ainda melhor, e acima de tudo, com o coração no sítio.
Pode parecer, em alguns momentos, demasiado pessoal, mas, para mim, é isto que o faz ser tão bom. O facto de nos podermos identificar, mesmo que indiretamente, com os problemas transversais que todos temos no que diz respeito à família, amor, identidade.
Não podemos esperar nada da vida e muito menos deixarmos que os outros a influenciem. Como disse a mãe Fabelman "faz sempre o que o teu coração mandar". E é esta uma das maiores premissas do filme, a procura pela concretização dos nossos sonhos, mas nunca descorando o amor, embora, por vezes, os dois possam colidir.

O argumento tem mais frases incríveis do que as que consigo lembrar-me. Por exemplo:
“Os filmes são sonhos dos quais te vais sempre lembrar” ou, como citei no início, “não deves a tua vida a ninguém”. E são estes pequenos apontamentos que fazem do Spielberg um realizador diferente e nos transpõem para além do ecrã. Esta alma e amor com que dirige os filmes e toda a equipa.
E por falar nisso, os atores Gabriel LaBelle, Michelle Williams e Paul Dano têm performances muito, muito boas.

Tecnicamente o filme é muito bonito. A luz, a fotografia, está tudo perfeito.
Mas, como podemos ver numa das cenas finais do filme, Spielberg foi influenciado desde novo por realizadores como John Ford, que, a ser verdade lhe disse algo como
“Lembra-te disto. Quando a linha do horizonte está no fundo é interessante; quando a linha do horizonte está no topo é interessante; quando a linha do horizonte está no meio, é aborrecido como o diabo”. E já agora aproveito para louvar mais uma performance que para mim foi genial e que foi o David Lynch a fazer de John Ford. Que final inesperado e divertido.

Somado a tudo isto temos, mais uma vez, música do incrível John Williams; a banda sonora mistura-se com Bach e outros compositores clássicos sem que demos conta disso; interlaça-se  com a trama de uma forma que poucos compositores conseguem. Mergulha-nos naquele mundo meio obscuro mas iluminado que foi a infância de Spielberg e está presente sem se impor, transportando-nos para o ambiente que o realizador quer passar.


Concluindo, “The Fabelmans” é uma carta de amor de Spielberg ao cinema e à sua família, que entre todos os problemas, sempre quiseram o melhor para os seus filhos.

Um 8 em 10 e uma promessa de não arrependimento se o conseguirem ver em tela grande.

Vale bem a pena.

Comentários

Mensagens populares