Everything Everywhere all at Once (2022)
"The only thing I do know is that we have to be kind. Please, be kind. Especially when we don't know what's going on.”
“Tudo em todo o lado ao mesmo tempo” é exatamente o que o nome indica: uma cacofonia de cores, sons, emoções, reações, movimentos, reações a acontecerem todas ao mesmo tempo, num turbilhão de ideias que foram sendo acrescentadas com um único propósito: mostrar-nos que o significado que damos às nossas vidas apenas depende de nós próprios. Somos humanos, sermos estúpidos faz parte do nosso ADN. Somos pequenos e estúpidos num universo gigante e cheio de significados.
O duo Daniels, os realizadores, presentearam-nos com um filme alucinado e alucinante, mas ao qual se vão acrescentando mais e mais camadas quanto mais pensamos nele. À primeira vista é só um filme de ficção científica com uma premissa simples: uma mãe tenta reconciliar-se com e compreender a filha, que por sua vez luta contra as tradições da própria família. Algo que acontece desde sempre. O filme leva ao extremo impossível a colisão entre gerações não só no conteúdo, como na forma como a história nos é contada. Por exemplo, a velocidade com que as novas gerações consomem informação e imagens em contraste com as mais antigas. Mas, à medida que vamos pensando mais sobre o que vimos, o filme traz-nos muitas outras mensagens como o a tomada de pequenas decisões pode alterar toda a nossa realidade, como por vezes, mesmo achando que estamos a ter em conta todas as possibilidades possíveis, uma diferente perspectiva sobre as coisas que tomamos como certas, pode alterar por completo o nosso universo, a forma como lidamos com e vemos o mundo.
Uma das minhas cenas preferidas acontece bem lá para o final do filme, quando no meio de toda aquela cacofonia visual e auditiva para tudo e temos uma discussão filosófica no vazio e silencioso deserto. Somos só mais um calhau ou grão de areia neste vasto deserto (até de ideias) que é o universo. Por vezes, mais vale sentar-mo-nos, calarmo-nos e aproveitarmos o silêncio e o mundo. Berrar, dizer palavrões (por que não?), e refletir sobre as coisas; ou então não pensarmos sobre nada e deixarmo-nos só flutuar.
Os atores estão todos incríveis, o que contribui ainda mais para o fluir da história, mesmo com toda aquela agitação. A forma como as personagens “saltam de universos” em segundos é genial.
Tecnicamente o filme é muito, muito bom. A fotografia é muito bonita e contribui para a credibilidade de tudo o que estamos a ver, mesmo as coisas mais surreais. A edição do filme é excelente. Cada corte está perfeito e a montagem final entre universos é a cereja no topo do bolo. Somado a tudo isto temos uma banda sonora de Son Lux que é estranha, surrealista, e que acrescenta mais uma camada aos ambientes e universos pelos quais vamos passando.
Em suma, “Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo” é um filme que merece ser visto em tela grande, principalmente para os mais cépticos, para serem “obrigados” a permanecer na sala e assistirem até ao final, porque vale a pena.
Somos o que quisermos ser.
Vivemos as vidas que quisermos viver.
Somos tudo.
Somos nada.
Mas pelo menos, somos ao mesmo tempo.
9 em 10.
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