Hitchcock/Truffaut (2015)
“We better not have cigars, you're right. It might make us look like movie directors and God forbid we ever look like that.” Alfred Hitchcock
Realizado por Kent Jones, “Hitchcock/Truffaut” é um documentário que tem por base a famosa entrevista realizada por Truffaut a Hitchcock. É uma conversa cinematográfica sobre o modo como Alfred Hitchcock pensava e concretizava os seus filmes, a forma como via os atores e os usava, em suma, como pensava o cinema como um todo. A entrevista aconteceu em 1962 e deu origem a um livro de Truffaut sobre Hitchcock. Este filme explora, através da perspectiva do realizador e outros cineastas, o impacto que esta conversa teve no mundo do cinema, e no estudo do mesmo. O filme conta com a participação de realizadores como Wes Anderson, David Fincher e Martin Scorcesse, que nos dão as suas perspectivas sobre os realizadores, a conversa, e como tudo isso influenciou a forma deles de contar histórias.
O documentário é fascinante não só para quem, como eu, adora Hitchcock e tudo o que ele fez, como também para quem ama cinema. É um bonito tributo aos dois realizadores, ao mesmo tempo que explora as diferentes formas de contar histórias de cada um, mostrando muitas vezes as dicotomias que existiam na abordagem de cada um dos realizadores e o que cada um deles pensava da abordagem do outro.
A única desvantagem deste filme é não ser mais longo. As conversas que têm sobre a forma como escrevem ou não as histórias, como levam os atores ao limite, como conduzem os espetadores para as reações que pretendem, como filmam, como pensam as cenas, os movimentos de câmara, os diálogos… tudo isto dá uma imensa vontade de ouvir mais, de ter estado presente naquelas discussões e aprender como cada um deles, com tão diferentes perspectivas, fazia cinema.
Este filme é apenas mais uma prova de que Hitchcock era, de facto, um génio. Como pensava os movimentos dos atores e câmara ao mais ínfimo pormenor, porque sabia o que cada movimento, cada respiração, cada cor, cada som faria o espetador sentir. Para ele, o filme deveria funcionar onde quer que fosse exibido. No Japão ou na América as pessoas deveriam rir ou assustar-se nas mesmas alturas. Um dos meus realizadores favoritos de sempre.
Em conclusão, este é um filme para amantes não só da filmografia de Hitchcock, como para todos os que vivem e respiram cinema, aspirantes ou não à produção cinematográfica.
8 em 10.
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