Ice Merchants (2022)
Ice Merchants saltou rapidamente para a minha lista de filmes portugueses favoritos. É um filme daqueles que nos aquece os corações.
A premissa é simples: um homem e o seu filho são vendedores de gelo. Vivem numa casa fria e vertiginosa, presa por frágeis cordas no topo do precipício. Todos os dias saltam de pára-quedas para se deslocarem à aldeia mais próxima, que se situa na planície abaixo, para conseguirem vender o gelo que produziram durante a noite.
João Gonzalez escreve, realiza, edita e ainda faz a música deste que é, para mim, uma das melhores curtas portuguesas de sempre. Com uma equipa pequena, mas capaz de competir em tudo com os gigantes da indústria e aliada à COLA Anima, empresa de animação de Bruno Caetano, os portugueses conseguem aqui uma história que nos deixa com os corações nas mãos e as lágrimas nos olhos.
Este é um filme que fala sobre família e amor. Em apenas 14 minutos, o realizador consegue condensar o passado daquela família e fazer transparecer todas as emoções, receios e anseios pelos quais os personagens passam. As alterações climáticas são aqui o ponto de ruptura que faz com que o filme avance e o dia a dia destes personagens se altere. E mais não digo, porque não quero estragar-vos a história.
A animação é absolutamente incrível. É extremamente delicada e bonita, como todo o filme. Mas ao mesmo tempo consegue passar a vertiginosa vida que aquelas personagens levam. Os planos que o realizador escolhe para mostrar a vida na montanha, em especial o da perspectiva da criança a andar de baloiço no topo da montanha é delicioso.
O último salto que vemos no filme é incrível. A animação, o som e a música acompanham a ação de uma forma tão natural que nos sentimos envoltos naquele momento e sentimos os personagens como os conhecêssemos há muito mais do que dez minutos.
Parabéns ao João e à equipa pelo feito conseguido, mas acima de tudo, pelo filme que fizeram que é mesmo mesmo muito bonito.
10 em 10.
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