Navalny (2022)
“Please let it be another movie. Let's make a thriller out of this movie and in the case that I would be killed let's make a boring movie of memory.”
Navalny é daqueles documentários que irrita e, para mim, quando isso acontece, é porque o filme é bom.
Como o nome indica, o documentário é sobre Alexei Navalny, o principal opositor de Putin que, em 2020, foi envenenado e quase morreu. Numa altura em que o covid-19 acabou por se sobrepor a todas as outras notícias, o acontecimento foi falado, mas acabou por passar despercebido. Este documentário vem tentar resolver isso.
A base do documentário é uma entrevista feita a Navalny com uma fotografia muito bonita. Aqui ele fala do passado e futuro da sua história, e de como o seu maior desejo é que este filme seja um thriller político e não um filme aborrecido em sua honra. E, tirando num momento ou outro, penso que esta mensagem é claramente passada.
Navalny é apresentado como o único opositor de Putin. Um homem que acredita na liberdade de expressão e na democracia. Que quer dar voz a todos, mesmo com quem não concorda. Uma pessoa corajosa que acredita que pode e deve lutar contra o autoritarismo de Putin.
Tal como em muitos filmes deste género, “documentários de investigação” que vão acompanhando o processo de tentativa de exposição de alguma cabala, também este tem momentos que são tão surreais que parecem mentira. Embora todos saibamos dos horrores praticados pelo ditador, ouvir as teorias e como se executaram as ações pelas bocas dos próprios dá-nos outra validação. Neste caso, a história é tão incredível que parece realmente fabricada. E esta é uma das cartas que Putin tem jogado, constantemente, nos media russos, para manter o “controle” da população.
Com poucos recursos e em cooperação com The Insider, Bellingcat, CNN e Der Spiegel, a equipa do opositor de Putin consegue apresentar provas concretas do envenenamento de Navalny. A maior prova, e que acaba por ser a cena mais forte do documentário, é uma chamada telefónica com um dos cientistas que fez parte da equipa que seguiu o opositor durante meses, acabando por o envenenar. Naquele momento, o cientista acredita estar mesmo ao telefone com um dos generais responsáveis pela operação que lhe pede uma descrição pormenorizada do porquê da operação não ter corrido como o desejado, com a morte de Navalny. Ele explica e acaba por desmascarar parte da rede de espiões, cientistas e responsáveis pela operação.
Em conclusão, o documentário expõe todas as provas que comprovam que Putin tem que ser preso por crimes cometidos, apresentando Navalny como o único “herói” capaz de derrotar o ditador. Se o filme terá implicações na política mundial? Não sabemos. O que sei é que é um bom documentário para quem quer saber mais sobre política russa, Putin, ou então para quem gosta de documentários de investigação.
7 em 10.
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