Tár (2022)
“There's no glory for a robot, Eliot. Do your own thing!”
Tár é um filme realizado por Todd Field, e que recebe muitas nomeações aos óscares 2023. E todas elas merecedoras.
Começo pelo melhor do filme: Cate Blanchett. Mais uma vez a comprovar a sua versatilidade e capacidade de conduzir um filme nela própria. Tár é um filme sobre uma maestrina chamada Lydia que já trabalhou com as principais orquestras do mundo e por isso é arrogante, segura de si própria e capaz de julgar os juízos de valor. Está acima do mundo e das ideias de moralidade propagadas pela sociedade moderna nas redes sociais. Está no topo da carreira e do mundo e é daí que a vê afundar, ao longo de três horas de filme.
Todd Field conduz Blanchett e os restantes atores de forma brilhante, que nos fazem duvidar das ações de cada personagem e ao mesmo tempo acreditar que aquela personagem existe mesmo na vida real. Mal acabou o filme senti a necessidade de ir pesquisar se Lydia Tár tinha ou não existido. Ainda assim, e especialmente em alturas em que o filme tem uma linguagem mais técnica e falada em alemão torna-se repetitivo; e por vezes deixa assuntos pendentes que não se materializam em nada concreto e não acrescentando mais à personagem ou à narrativa. Por outro lado é essa repetição que nos deixa ainda mais curiosos, expectante, tensos, irritados, frustrados e confusos sobre o mundo e a facilidade com que a vida cai de um penhasco por tomarmos más decisões. Um filme com o qual nos conseguimos identificar, apesar de retratar uma personagem elitista, por tratar também de temas com os quais nos conseguimos identificar.
Um dos pontos fortes do filme foi, para mim, a fotografia. Todos os planos são bem executados e com uma iluminação muito boa. Um especial ênfase para a minha cena preferida do filme, que acontece num auditório de aula. Aqui a câmara vai seguindo a ação num plano sequência que nos vai aproximando e afastando das ideias e conceitos que estão a debater de forma absolutamente genial.
Falemos também da banda sonora. O filme começa com os créditos e uma música fantasmagórica que nos coloca imediatamente no coração da personagem principal, rodeada também ela pelos fantasmas do passado, do presente e mais tarde no filme também do futuro. Depois todo o filme segue a mesma lógica asfixiante que nos faz entrar naquele mundo de Lydia e percorrer a sonoridade daquela vida.
Em conclusão, Tár é um bom filme, com uma atuação incrível de Cate Blanchett, um argumento sólido, mas por vezes repetitivo e que se torna em alguns momentos lento de mais, nas alturas mais técnicas e faladas em alemão.
Por tudo isto, Tár merece o meu 8 em 10.
Comentários
Enviar um comentário