The Trouble with Harry (1955)
“Blessed are they who expect nothing, for they shall not be disappointed.”
E com Hitchcock, o melhor é nunca esperar nada, porque mesmo quando temos a certeza do que vai acontecer, ele engana-nos com uma mestria que a mim continuará para sempre a surpreender.
"The Trouble with Harry”, ou “O Terceiro Tiro”, em português, é uma comédia de 1955. Pautada por um humor negro e inteligente, é estrelada por Edmund Gwenn, John Forsythe e Shirley MacLaine que faz a sua estreia no cinema.
Uma história tão surreal que só poderia ser realizada por Alfred Hitchcock. A premissa é mais uma vez, extremamente simples: em Vermont, um corpo é encontrado no campo e várias pessoas da pacata aldeia tornam-se suspeitas do assassinato. A partir daí, a trama desenrola-se por um caminho inesperado, abordando temas como o amor, a morte ou a redenção, sempre com uma discussão filosófica típica do realizador.
Por várias vezes, e como é hábito nos filmes do realizador, damos por nós a pensar o que faríamos em cada uma das situações. O filme é considerado uma das obras mais subestimadas e esquecidas de Hitchcock, mas ainda assim um tesouro escondido que vale a pena ser descoberto pelos fãs do realizador e de cinema no geral. Misturando com mestria elementos de mistério, romance e comédia, Hitchcock consegue aqui mais um filme, para mim, absolutamente genial. As “peças” que o realizador usa vão-se encaixando ao longo do filme de uma forma incrível e, como sempre, nada está lá a mais; tudo o que aparece ou é dito vai depois ser utilizado para resolver ou não mais uma intriga. Até a forma como cada personagem aparece e é introduzido na narrativa ajuda a dar-lhes o contexto e personalidade. Hitchcock era realmente o mestre do suspense e sabia como agarrar os espetadores ao filme desde o primeiro ao último segundo.
A fotografia é considerada como uma das mais bonitas da filmografia de Hitchcock, com cenas pitorescas das montanhas de Vermont, e que contrastam com a macabra e divertida trama do filme. Os planos e movimentos são utilizados pelo realizador com uma consciência absoluta do que transmitem aos espetadores em todos os momentos; suspense, uma gargalhada, uma perspectiva sobre os personagens, tudo é pensado ao pormenor e executado na perfeição.
A banda sonora de Bernard Herrmann é também um dos pontos altos do filme,. Ao mesmo tempo que ajuda a criar uma atmosfera misteriosa e de suspense, desenvolve também os personagens com temas específicos para cada um, ajudando o espetador a construir uma imagem de cada um dos personagens, mesmo antes de os conhecermos melhor; acontece logo no início do filme com os temas do capitão e da criança que nos passam musicalmente e instantaneamente as imagens de inocência e de que alguma coisa vai acontecer às personagens e que não liga com o carácter das mesmas.
Concluindo, "The Trouble with Harry" é um filme muito divertido, inteligente e intrigante que merece ser visto e revisto, mesmo depois de sabermos o final.
Se, como eu, são fãs de Hitchcock e cinema, ou se não sabem o que ver, este filme pode ser uma escolha perfeita. Apesar de ter visto no Cineclube de Guimarães, o filme está até disponível no Youtube gratuitamente.
Para mim 10 em 10. Mais uma vez obrigado ao Cineclube de Guimarães por me ter dado a oportunidade de ver e apreciar este incrível filme em tela grande.
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