Oppenheimer (2023)
"Just because we're building it doesn't mean we get to decide how it's used."
Oppenheimer é um protento de um filme. Não só pela qualidade, não só pela duração, mas pelas questões que levanta sendo "um filme comercial".
Em primeiro lugar Christopher Nolan realiza um filme impecável, não fosse pela duração que assusta. A forma como dirige os atores, produz e escreve filmes é de louvar. Consegue sempre, comercialmente, fazer-nos pensar em qualquer coisa; normalmente sobre tempo, aqui também sobre física, ética e especialmente moral. Ainda que não seja, para mim, o melhor filme do realizador, é realmente muito muito bom.
O argumento e enredo, mais uma vez com saltos temporais entre passado e futuro, algo característico de Nolan, é muito bom. Não sei se o livro está escrito desta forma, entre discussões futuras e heroísmos passados, mas no cinema resulta muito bem.
Em segundo, todos os atores são incríveis nos seus papéis, com especial ênfase, claro, para Cillian Murphy que representa um Oppenheimer ora confiante, ora perdido, mas sempre brilhante. Consegue com a sua expressão passar-nos todas as discussões internas do personagem sobre o que possivelmente o cientista poderia sentir.
Para que isto funcione a edição, a cargo de Jennifer Lame, tem um papel fundamental. Cortes ora rápidos, ora mais espaçados carregam consigo a carga do filme. As cenas em que o realizador nos tenta explicar e mostrar física em imagens são incríveis e funcionam muito bem entre outras cenas.
O que nos leva ao incrível trabalho de Hoyte Van Hoytema de direção de fotografia. Mais um filme de Nolan em que o trabalho de luz, cor e câmara é de nos tirar o fôlego nos momentos certos e de uma beleza e contemplamento incríveis quando precisamos de tempo para respirar e refletir sobre o que estamos a ver, ouvir e tentar perceber. E replicar uma bomba atómica em câmara não deve ter sido nada fácil.
Richard King supervisionou o departamento de som, outros dos responsáveis por termos sentido a bomba nas salas de cinema. A equipa soube aproveitar o caos e o silêncio em todos os momentos, e fazer sobressair a banda sonora de Ludwig Göransson que já nos habituou a genialidade, sempre.
Richard King supervisionou o departamento de som, outros dos responsáveis por termos sentido a bomba nas salas de cinema. A equipa soube aproveitar o caos e o silêncio em todos os momentos, e fazer sobressair a banda sonora de Ludwig Göransson que já nos habituou a genialidade, sempre.
Portanto, com uma equipa assim, fazer um filme bom não era difícil, transpor essa barreira para a excelência é que é o trabalho de Nolan, que o consegue. Só não o senti perfeito por causa do tempo; houve uma ou duas cenas que me pareceram menos necessárias para a narrativa, não tendo o filme que se alongar tanto. E os saltos temporais por vezes confundiram-me mais do que a ciência por detrás da bomba.
Ainda assim, este Oppenheimer é brutal. Apesar das três horas consegue prender-nos do início ao fim. Consegue explicar a física da bomba de uma forma que qualquer pessoa que tenha feito as aulas de Física e Química do segundo ciclo consegue entender. E acima de tudo, faz-nos refletir sobre a vida e a morte. Sobre o que poderia ter acontecido se a bomba não tivesse sido lançada. Faria diferença se fosse lançada por outros que não os americanos/aliados? Havia necessidade de terem sido lançadas duas? Quem foram afinal os responsáveis?
Estas são algumas das perguntas que nos são colocadas ao longo do filme e não têm uma resposta concreta, que deixam o espetador refletir sobre todas elas.
E por tudo isto o filme é tão incrível e merece ser visto em tela grande.
E por tudo isto o filme é tão incrível e merece ser visto em tela grande.
Um 9,5 em 10.
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